Publicar tem segredo?

Maio/2026

Alunos de pós-graduação da Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz) participaram, nos dias 02, 16 e 30 de abril, da oficina Publicar tem segredo? Preparação e divulgação de artigos científicos, ministrada pelo editor-chefe da revista História, Ciências, Saúde – Manguinhos, Gabriel Lopes, o ex-editor-chefe, Marcos Cueto, e a editora-executiva Roberta Cardoso Cerqueira.

Alunos e professores da oficina no final do evento para a foto de registro

Alunos e professores reunidos no final do evento para a foto de registro

Realizada no auditório do CDHS, na Fiocruz, a oficina abordou questões importantes da publicação científica, como ética e integridade, etapas do processo editorial e estratégias dos periódicos científicos em ambientes digitais, com destaque para os periódicos em acesso aberto diamante.

Aluna de mestrado do Programa de Pós-Graduação em História das Ciências e da Saúde (PPGHCS/COC/Fiocruz), Jamile Fernandes achou a oficina de publicação muito importante, principalmente por tornar o processo mais acessível.

“É um processo complicado, ainda mais para a gente que está saindo agora da graduação e acabou de ingressar no mestrado. Foi uma experiência muito enriquecedora para entender melhor como funciona a submissão de artigos, os critérios editoriais, todas as questões de ética envolvida, tanto na escrita, mas como também no uso de inteligência artificial para quem usa, o cuidado com o plágio, a adequadação das fontes. Então, acredito que a oficina me ajudará bastante, tanto no meu percurso acadêmico quanto no profissional, porque me deu mais segurança para pensar na publicação dos meus próprios trabalhos e também compreender melhor como é o funcionamento das revistas e, principalmente, da revista Manguinhos“, relatou a mestranda. 

Jamile também destacou a oportunidade de aproximação com o trabalho dos editores, contribuindo para “desmistificar o processo, esse tabu que a gente tem medo”, e incentivar a produção e a circulação do conhecimento.

A doutoranda do PPGHCS Carolina Schlaepfer também considerou a experiência muito enriquecedora, especialmente neste momento em que, recém-saída do mestrado, busca caminhos para publicar os resultados da sua pesquisa.

“O curso me proporcionou uma compreensão clara sobre o processo de submissão de artigos e sobre o que as revistas acadêmicas esperam ao receber uma proposta, algo que, para quem está começando, pode parecer um universo distante. Um dos grandes diferenciais foi ter como facilitadores os próprios editores da revista, que trouxeram um olhar aprofundado e realista sobre os critérios de aceitação e os bastidores do processo editorial”, disse a doutoranda.

Carolina contou que o curso abriu espaço para reflexões fundamentais sobre ciência aberta e divulgação científica, temáticas que reforçam a importância de tornar o conhecimento acessível a todos. “Para mim, que estou me inserindo no meio acadêmico, essas discussões foram tão valiosas quanto os aspectos técnicos da escrita, e saí da oficina não apenas com ferramentas práticas, mas também com uma visão mais ampla sobre o papel social da ciência”, comemorou.

Os editores Gabriel Lopes, Marcos Cueto e Roberta C. Cerqueira comemoram o sucesso da oficina

Gabriel Lopes, Marcos Cueto e Roberta C. Cerqueira comemoram o sucesso da oficina

A iniciativa da oficina também foi uma experiência positiva para os historiadores.

A editora-executiva Roberta C. Cerqueira ressaltou “a ótima chance de apresentar a complexidade envolvida no processo de uma publicação científica, em especial nos periódicos científicos que operam no modelo de acesso aberto diamante.”

O Blog de HCS-Manguinhos reuniu abaixo reportagens sobre publicação científica em acesso aberto. Aprofunde-se!

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Das 208 revistas brasileiras indexadas na área de História, 101 (48,6%) são do Sudeste. Os dados foram expostos por Marcos Eduardo de Sousa na mesa “Qualis Periódicos na área de história”, no evento de 30 anos da revista HCS-Manguinhos. Já Marcus Leonardo Bomfim Martins, editor da revista História Hoje, abordou os desafios à interdisciplinaridade, questão especialmente sensível ao periódico aniversariante.

Usos e limites da Inteligência Artificial Generativa na comunicação científica

Em apresentação no evento em comemoração aos 30 anos da revista História, Ciências, Saúde – Manguinhos, Sônia Menezes, editora da Revista Brasileira de História e professora da Universidade Regional do Cariri, explicou que a GenAI pode gerar conteúdos de forma autônoma em texto, imagem, vídeo e áudio, além de corrigir, traduzir e até melhorar argumentos. Mas há questões éticas e cada publicação tem suas regras.

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