Agosto/2018
Blog de HCS-Manguinhos A USP sedia esta semana, de 21 a 24 de agosto, 5ª Conferência Anual da Federação Internacional de História Pública e o 4º Simpósio Internacional de História Pública, promovidos pela Rede Brasileira de História Pública (RBHP), a International Public History Federation (IFPH), o Grupo de Estudo e Pesquisa em História Oral e Memória (GEPHOM) e a Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP (EACH/USP). Para apresentar o tema, convidamos Ricardo Santhiago, professor da Unifesp e um dos organizadores do evento conjunto. O que é história pública e qual sua importância para as pesquisas históricas? Certamente não existe uma resposta única para essa pergunta. Embora a expressão tenha ganhado notoriedade a partir do trabalho de historiadores estadunidenses que nos anos 1970 levaram adiante esforços para ampliar os campos de trabalho do historiador – em um primeiro momento na consultoria histórica e nos museus, expandindo-se depois para o mercado editorial e as mídias -, ela também veio a denominar as práticas participativas de pesquisa histórica, o conjunto de produções de história popular, a ação de indivíduos e grupos não profissionais investigando seu próprio passado, as reflexões sobre os usos públicos da história e da memória. Essas acepções estão em permanente disputa, mas a meu ver existe entre elas menos conflito do que complementaridade. Uma história aplicada fundamentalmente focada no domínio de certas linguagens, técnicas narrativas ou no desenvolvimento de novos suportes, provavelmente redunda em algo não muito diferente daquilo que é produzido por quaisquer outros agentes que lidam com o passado. Como os historiadores podem pensar seus trabalhos também pelo viés da história pública? A própria expressão história pública é extremamente instigante e desafiadora. Tenho visto que sua popularização, no Brasil, tem tido um efeito extremamente saudável: em vez de encaminhar à criação de uma espécie de subcampo ou de uma subdisciplina específica – como ocorreu nos Estados Unidos, por exemplo, onde o mainstream da história pública se afasta e busca se distinguir deliberadamente da disciplina história -, aqui ela funciona como o disparador de uma reflexão com consequências práticas. Convida todo e qualquer historiador a pensar na dimensão pública, comunicacional, participativa, da sua atividade profissional. Fazendo isso, ela de certa forma restaura as conexões entre aquelas várias acepções da história pública, integrando processo e produto, participação e divulgação. Qual o cenário da história pública como campo de estudos no Brasil? E no mundo? Extremamente diversificado, e é muito importante que a diversidade esteja se tornando visível, já que até há muito pouco tempo o modelo dos programas profissionalizantes de história pública americanos era praticamente hegemônico. O movimento de internacionalização da história pública parte desse modelo, mas se defronta com as várias histórias públicas locais que o tensionam e modificam. Ou esse deveria ser o propósito. Que eventos serão realizados de 21 a 24 de agosto e como se relacionam? Desde 2011, realizamos bianualmente os simpósios internacionais da Rede Brasileira de História Pública, e logo depois a Federação Internacional de História Pública passou a organizar seu encontro anual. Desta vez, os dois eventos se encontram, a partir do convite do ex-presidente da IFPH, Serge Noiret, que foi abraçado pela Rede. Por um lado isso indica o reconhecido protagonismo do Brasil no panorama mais recente da história pública global; por outro, é também uma oportunidade para ações mais propositivas no campo de reflexões e práticas da história pública. O livro “Que história pública queremos? What Public History Do We Want?”, totalmente bilíngue e motivado pelo evento, é um exemplo disso: reúne 20 ensaios bastante agudos, todos elaborados a partir de questões que exigiram uma aproximação entre as práticas e áreas de especialidade de seus autores e a história pública. Arrisco dizer que, em conjunto, eles respondem o que há de específico na história pública que queremos e estamos fazendo. Acesse o site dos eventos em http://historiapublica.com.br/publichistory2018
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História pública: práticas participativas de pesquisa serão discutidas esta semana na USP
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