Julho/2025

Inaugurado em 6 de junho de 1818 e reduzido a cinzas 200 anos depois, num incêndio em 2 de setembro de 2018, o Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na Quinta da Boa Vista, foi reconstruído e reinaugurado recentemente, em 2 de julho de 2025. O prédio foi refeito, mas o acervo do Museu, quase todo perdido, agora existe apenas nos registros feitos antes da tragédia.
O acervo da Seção de Memória e Arquivo (Semear), por exemplo, foi a principal fonte primária de Joana David Caprário de Lima na sua pesquisa de doutorado em Museologia e Patrimônio da Unirio/Mast, defendida em 2019 e laureada com o Prêmio Capes de Teses daquele ano. A pesquisa ficou ainda mais relevante depois do incêndio.
Joana de Lima também é autora do artigo A coleção de paleoinvertebrados do Museu Nacional, Rio de Janeiro: práticas museológicas e etapas da sua trajetória, publicado no final do ano passado na revista História, Ciências, Saúde – Manguinhos (v. 31/2024). O artigo analisa os aspetos gerais da formação da coleção de paleoinvertebrados do Museu Nacional e as etapas da sua trajetória, tendo em consideração o próprio percurso da instituição, sob a perspectiva da museologia e dos estudos sobre o patrimônio. São abordados o alcance da coleção no contexto do departamento, os procedimentos por que passou e as práticas em que esteve envolvida, nomeadamente a pesquisa, o ensino e as exposições. Segundo a autora, a trajetória da coleção reflete os contextos do museu de meados do século XIX até o início do século XXI.

“A coleção de paleoinvertebrados do Museu Nacional, tal como se encontrava antes do incêndio é, muito provavelmente, constituída apenas pelo que sobreviveu ao tempo, e não o retrato fiel da sua formação e trajetória. Resulta de vários processos de formação, nomeadamente coletas, doações e permutas ocorridas, grosso modo, a partir da década de 1940, e foi alvo de várias curadorias”, explica Joana de Lima, que é pesquisadora do Centro de Humanidades da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.
De acordo com a pesquisadora, nos seus 181 anos de formação, as quatro etapas por que passou a coleção de paleoinvertebrados refletem mudanças sensivelmente a cada 30 anos, o que significa que a cada duas ou três gerações de curadores ocorrem modificações que traduzem diferentes formas de olhar e tratar as sub-coleções.
“A sua trajetória envolveu a mudança de instalações, a participação em exposições, além de diversos processos de tratamento, reorganização e acondicionamento que, no conjunto, abrangeram a gestão do espaço disponível, a eliminação do material destituído de interesse e a implementação de medidas de segurança. Estas atividades permitiram elucidar sobre o papel do Museu na gestão das coleções”, afirma.
Leia na revista HCS-Manguinhos:
A coleção de paleoinvertebrados do Museu Nacional, Rio de Janeiro: práticas museológicas e etapas da sua trajetória, artigo de Joana David Caprário de Lima (História, Ciências, Saúde – Manguinhos, v. 31, 2024)
Leia também:
A coleção de mosquitos de Antonio Gonçalves Peryassú do Museu Nacional, Rio de Janeiro: registro de memória de um patrimônio desaparecido, artigo de Ricardo Lourenço-de-Oliveira e Francisco dos Santos Lourenço (História, Ciências, Saúde – Manguinhos, v. 30, 2023)
O incêndio, a morte e a esperança
Carta dos Editores Marcos Cueto e André Felipe Cândido da Silva (História, Ciências, Saúde – Manguinhos, vol.25, no.3 jul./set. 2018)
Souza VS; Santos RV; Coelho MCS; Hannesh O; Carvalho CR. Arquivo de Antropologia Física do Museu Nacional: fontes para a história da eugenia no Brasil. (História, Ciências, Saúde – Manguinhos, v. 16, 2009)
Santos RV; Gaspar Neto VV. Entre ossos e cientistas: um mergulho na pré-história americana. (História, Ciências, Saúde – Manguinhos, v. 16, 2009)
Sá GJS; Santos RV; Carvalho CR; Silva EC. Crânios, corpos e medidas: a constituição do acervo de instrumentos antropométricos do Museu Nacional na passagem do século XIX para o XX. (História, Ciências, Saúde – Manguinhos, v. 15, 2008)
Santos RV. A obra de Euclides da Cunha e os debates sobre mestiçagem no Brasil no início do século XX: Os Sertões e a medicina-antropologia do Museu Nacional (História, Ciências, Saúde – Manguinhos, v. 5, suplemento, 1998)
Leia no Blog de HCS-Manguinhos:
No tempo em que o Brasil era mar
O incêndio, a morte e a esperança
Carta dos Editores Marcos Cueto e André Felipe Cândido da Silva sobre a tragédia do incêndio do Museu Nacional, no Rio de Janeiro (HCS-Manguinhos, v. 25, n. 3, jul-set/2018)‘Perda do acervo documental do Museu Nacional é inestimável’, por Magali Romero Sá
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Museu Nacional, ‘miniatura do país’, por Vanderlei de Souza
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Saiba como estão os trabalhos de recuperação e de pesquisa e reveja o que o Blog de HCS-Manguinhos publicou sobre as perdas do incêndio e o que a revista já publicou sobre os acervos do Museu




