Dois livros para refletir sobre a ciência ganharam resenhas na revista História, Ciências, Saúde – Manguinhos (v. 32, 2025).

Capa do Handbook for the historiography of hcience
Lançado em 2023 pelos professores Mauro Lúcio Condé, do Departamento de História da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e Marlon Salomon, de história moderna da Universidade Federal de Goiás (UFG), o Handbook for the historiography of science (ed. Springer), ou Manual para a Historiografia da Ciência (título em tradução livre), é definido como uma obra “magistral” pela doutoranda de História na UFMG Fernanda Schiavo Nogueira.
“O livro apresenta como objetivo fornecer as primeiras orientações para quem pretende ingressar na história da ciência e conhecer a historiografia pertinente a esse campo de conhecimento tendo o entendimento das principais discussões estabelecidas dentro da especialidade”, esclarece a pesquisadora, que considera a obra referência para uma especialidade subestimada.
Na resenha intitulada A busca pela restituição da importância da historiografia da ciência, Fernanda conta que o livro é dividido em quatro eixos temáticos: autores-chave; conceitos e concepções; o campo desde a ciência moderna ao mundo científico contemporâneo; e campos afins. Segundo ela, as obras publicadas nesta área são “isoladas”, “pontuais” e “quase sempre classificadas restritivamente como filosofia da ciência”.
Para pensar fora da caixa

Capa de Outra ciência é possível
Originalmente publicado em francês em 2013, o livro Uma outra ciência é possível: manifesto por uma desaceleração das ciências, da filósofa belga Isabelle Stengers, foi traduzido para o português e lançado em 2023 pela editora Bazar do Tempo, com um prefácio exclusivo da autora, pontuando a relevância permanente de suas ideias e a atualidade do debate.
Na resenha Pensar fora da caixa: uma outra ciência é urgente, Glaucia Guimarães Pereira, doutoranda do Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília, explica que Stengers afirma ser necessária e possível uma nova forma de fazer ciência, pois a ciência atual é frequentemente conduzida sob pressões de tempo e eficácia que comprometem a integridade ética e a relevância social das pesquisas. A autora do livro também questiona a definição de pares, apontando que as trocas e leituras da produção científica são feitas cada vez mais por grupos superespecializados, e que nesse processo de publicações especializadas voltadas para métricas de impacto certas vozes são amplificadas e outras silenciadas.
“Para Stengers, desacelerar significa prestar atenção às questões que realmente importam, aquelas cujas respostas lançariam luz sobre as mazelas sociais ou as mudanças climáticas”, explica.
Leia na revista HCS-Manguinhos:
A busca pela restituição da importância da historiografia da ciência, resenha de Fernanda Schiavo Nogueira para o livro Handbook for the historiography of science, de Mauro Lúcio Condé e Marlon Salomon (ed. Springer, 2023), História, Ciências, Saúde – Manguinhos (v. 32, 2025).
Pensar fora da caixa: uma outra ciência é urgente, resenha de Glaucia Guimarães Pereira para o livro Uma outra ciência é possível: manifesto por uma desaceleração das ciências, de Isabelle Stengers (ed. Bazar do Tempo, 2023), História, Ciências, Saúde – Manguinhos (v. 32, 2025)



