Janeiro/2026

Retrato de mulher preta feito por Marc Ferrez na Bahia em 1876 ilustra capa do livro Miradas Coloniales
O retrato de uma mulher negra vestida de rendas e adornada com colares, brincos, pulseiras e balangandãs, feito na Bahia em 1876 por Marc Ferrez, então fotógrafo oficial da Marinha Imperial do Brasil, na capa do livro Miradas coloniales: fotografía antropológica y colonialismo visual, de Miguel Ángel Puig-Samper (Madrid: Catarata, 2024), destaca a importância do Brasil nas origens da fotografia antropológica. Com dez capítulos, o livro também enfoca obras de fotógrafos em Cuba, Porto Rico, EUA, México, Guiné Equatorial, Sul da América do Sul, Norte da África e Oceania.
“Cada capítulo está ricamente ilustrado com fotografias extraídas de diversos acervos, formando um compêndio visual extraordinário”, conta Juan Manuel Sánchez Arteaga na resenha Olhares coloniais: uma excelente introdução à história da fotografia antropológica e do colonialismo visual, publicada na revista História, Ciência, Saúde – Manguinhos (v. 32, 2025).
Segundo Sánchez Arteaga, o livro de Puig-Samper descreve o processo pelo qual a fotografia adquiriu status científico, incorporando métodos rigorosos que incluíam retratos de frente, de costas e de perfil, e a aplicação de escalas métricas nos corpos fotografados, buscando fornecer objetividade aos estudos antropológicos.
A resenha explica que a obra aborda o modo como a fotografia antropológica foi empregada para legitimar discursos de supremacia racial e colonialismo em diversas partes do mundo, transformando-a numa ferramenta utilizada para validar teorias eurocêntricas da antropologia da época.
Leia em HCS-Manguinhos:
Olhares coloniais: uma excelente introdução à história da fotografia antropológica e do colonialismo visual, resenha de Juan Manuel Sánchez Arteaga (História, Ciência, Saúde – Manguinhos, v. 32, 2025)
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