Imagens da ciência no século XIX em foco

Janeiro/2026

Imagem de mulher sendo fotografada. Reprodução do livro As Grandes Invenções, de Louis Figuier (1873)

O advento da fotografia. Reprodução do livro As Grandes Invenções, de Louis Figuier (1873)

No século XIX, um importante segmento literário começou a crescer: o das obras sobre ciência destinadas a um público amplo e não acadêmico. Essas obras apresentavam uma visão direta, superficial e geralmente prática e utilitária do empreendimento científico, a fim de proporcionar a um leitor mais jovem o acesso a conhecimentos que provavelmente não conseguiria compreender pela leitura de textos mais técnicos. Grande parte delas era repleta de ilustrações.

Uma dessas obras é o livro Les Grandes Inventions, de 1861, do francês Louis Figuier (1819-1894), tema de artigo escrito por Breno Arsioli Moura, historiador da ciência e professor associado da Universidade Federal do ABC, e publicado na revista História, Ciência, Saúde – Manguinhos (v. 32, 2025).

No artigo A iconografia da ciência em As Grandes Invenções, do francês Louis Figuier, 1819-1894, Moura analisou a versão portuguesa do livro publicada em 1873, que teve grande circulação em Portugal e no Brasil. Foram categorizadas e analisadas as 138 ilustrações que compõem o livro. O autor mostra que as ilustrações destacam o caráter experimental da ciência, além de reforçar o papel exclusivo dos homens nessa atividade.

Embora tenha tido sua formação inicial em medicina, Figuier acabou abandonando a carreira científica e se especializou na escrita de textos científicos voltados a um público geral. Publicou dezenas de trabalhos nesse estilo, inclusive peças de teatro. Suas obras trazem uma quantidade expressiva de ilustrações, geralmente retratando instrumentos, pessoas ou experimentos científicos sendo realizados.

 O grande telescópio de Herschel, cuja dimensão é enfatizada pelo contraste com o tamanho da pessoa que o manuseia (Figuier, 1873, p.167“No texto e nas imagens há um destaque a uma visão de ciência essencialmente empírica, metódica e realizada por grandes cientistas, pensadores e inventores, todos homens”, afirma Moura. Ele salienta que essas ilustrações podem ter consolidado no público leitor “o que é fazer ciência e comandar a técnica”, contribuindo para moldar uma representação típica do que seria o trabalho científico e de quem o faria, no caso, apenas os homens.

Embora Figuier seja um autor relativamente estudado na literatura especializada, esta é a primeira vez que as imagens de seus trabalhos – hoje, facilmente encontradas em sites de busca e em repositórios – são analisadas em detalhes.

O estudo de Moura abre novas possibilidades para a compreensão da relevância dos trabalhos de Figuier sob a lente do estudo de materiais visuais como fontes históricas. (Fonte: release e artigo de Breno Arsioli Moura)

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