Fevereiro/2026

Emília Snethlage com cabelo solto, década de 1920. Fonte: Setor de Ornitologia, Museu Nacional/UFRJ
Em 1929, a naturalista-viajante Emília Snethlage realizou uma expedição para Porto Velho, Rondônia, com o intuito de estudar as aves da região. Porém, no meio da viagem, foi encontrada sem vida na cama do hotel em que havia se hospedado. Documentos inéditos descobertos no Museu Nacional esclarecem detalhes de seu falecimento e fornecem novas informações sobre a vida da cientista.
A ornitóloga alemã veio ao Brasil em 1905 para trabalhar no Museu Paraense Emílio Goeldi, tendo sido a primeira mulher a dirigir um museu na América Latina. Em 1922, foi contratada como naturalista-viajante pelo Museu Nacional, no Rio de Janeiro. Em setembro de 1929, viajou a Porto Velho para estudar as aves do rio Madeira. Na manhã do dia 25 de novembro, foi encontrada morta por uma funcionária do hotel onde estava hospedada.
A história é reconstruída por Marco Aurélio Crozariol, pesquisador do Museu de História Natural do Ceará Prof. Dias da Rocha, da Universidade Estadual do Ceará, em Pacoti, no artigo O último voo: documentos inéditos relativos ao falecimento e ao espólio de Emília Snethlage, 1868-1929, publicado na seção Fontes da revista História, Ciências, Saúde – Manguinhos (v. 32, 2025).
Crozariol estudou documentos inéditos descobertos numa organização feita em meados de 2018 no Setor de Ornitologia do Museu Nacional/UFRJ. Entre os documentos, estão o atestado de óbito, local de sepultamento e o espólio da naturalista encontrados em Porto Velho e no próprio Museu Nacional. Todos os documentos sobreviveram ao incêndio de 2 de setembro de 2018 por estarem em prédio separado.
Emília se mudou para o Brasil em 1905 para trabalhar no Museu Paraense Emílio Goeldi, se tornando uma destacada ornitóloga. Em 1922 foi contratada como naturalista-viajante pelo Museu Nacional e, em setembro de 1929, viajou à Porto Velho, Rondônia, para estudar as aves do rio Madeira. Infelizmente, foi encontrada morta na manhã do dia 25 de novembro por uma funcionária do “Hotel Brazil”, onde estava hospedada. Segundo o atestado de óbito, Emília faleceu por problemas no coração, uma síncope cardíaca. Ela foi enterrada em Porto Velho, no Cemitério dos Inocentes, porém seu túmulo e local de sepultamento se perderam com o passar do tempo e são atualmente desconhecidos.
Algumas cartas, divulgadas na publicação, trocadas entre o delegado de Porto Velho, Raul Andrade, e o então diretor do Museu Nacional, Edgard Roquette-Pinto, trazem agora pistas valiosas sobre o falecimento da naturalista, incluindo a localização exata onde ela foi enterrada, “quarteirão de N° 1, sepultura N° 538”, o que poderá auxiliar futuras investigações. Entretanto, os documentos não são tão animadores, visto que sugerem que Emília foi enterrada em sepultura provisória, por não ter sido pago o valor solicitado pela prefeitura de Porto Velho para que fosse construído uma sepultura perpétua. Isso pode explicar o porquê seu túmulo e restos mortais nunca mais foram encontrados.
Entre os documentos havia também algumas fotografias, uma delas, divulgada no artigo, traz pela primeira vez uma imagem da naturalista com os cabelos soltos, muito longos. O autor chama a atenção ao fato que Snethlage viajava com dois pentes e duas escovas de cabelo, o que só foi possível descobrir através da análise do espólio encontrado em Porto Velho. Essas informações ajudam, não apenas a saber mais sobre suas atividades como cientista no campo, mas também sobre fatos pessoais, como seu dia a dia e personalidade.
Embora não tenha participado diretamente de nenhum movimento feminista, Emília Snethlage é referência e inspiração para muitas mulheres cientistas, especialmente no campo da Zoologia. Foi, por exemplo, a primeira mulher a descrever uma espécie de ave para a ciência e a primeira mulher a dirigir um museu na América Latina. Mais um pedacinho de sua história se torna agora disponível para a comunidade.
Leia na revista HCS-Manguinhos:
O último voo: documentos inéditos relativos ao falecimento e ao espólio de Emília Snethlage, 1868-1929, artigo de Marco Aurélio Crozariol, seção Fontes (História, Ciências, Saúde – Manguinhos, v. 32, 2025)



