Arte moderna para repensar ideias e narrativas

Janeiro/2026

Detalhe de obra de António Ole, 2001

Detalhe de obra de António Ole, 2001

“Acredito que a minha arte possa ajudar as pessoas a mudar, porque é sempre provocadora”. A frase do artista António Ole é uma citação essencial numa análise publicada no suplemento  “Coleções coloniais e pós-coloniais em Portugal: reconstituir trajetórias e repensar narrativas”, da revista História, Ciências, Saúde – Manguinhos (v. 32, 2025). 

No artigo Reflexões pós-coloniais sobre a coleção do Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian: António Ole, Grada Kilomba, Kiluanji Kia Henda e Mónica de Miranda, Joana Filipa da Silva de Melo Vilela Passos, pesquisadora do Centro de Estudos Humanísticos da Universidade do Minho (Braga, Portugal) analisa quatro obras de artistas africanos ou de ascendência africana.

Para a autora, o reconhecimento e a valorização da arte moderna africana são uma prática positiva para a renovação de ideias dominantes, transcendendo práticas eurocêntricas. “A arte provoca reflexão e muda ideias feitas”, afirma. 

Clique nas imagens abaixo para vê-las maior

 

Joana Filipa da Silva de Melo Vilela Passos parte de conceitos propostos pelos estudos pós-coloniais – como a necessidade da revisão do arquivo histórico colonial, a crítica do eurocentrismo e a recuperação de memórias silenciadas –, para promover uma renovação epistemológica do conhecimento ocidental como uma prática hegemônica, que marginaliza outras culturas e povos. Segundo ela, as quatro obras de arte contemporânea analisadas se unem pela sua dimensão interventiva, ao convocar debates e problemas sociais da atualidade.  

“O que está em causa neste artigo é sublinhar o relevante contributo de artistas africanos para se transcender padrões de pensamento colonial, e, ao mesmo tempo, o importante papel da Fundação Calouste Gulbenkian, em Portugal, que, ao dar visibilidade a esses artistas, promove a procura por novas fórmulas de pensamento e novas leituras do mundo, a partir dos discursos e das ideias propostos pela arte.”

Leia na revista HCS-Manguinhos:

Reflexões pós-coloniais sobre a coleção do Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian: António Ole, Grada Kilomba, Kiluanji Kia Henda e Mónica de Miranda
artigo de Joana Filipa da Silva de Melo Vilela Passos (revista História, Ciências, Saúde – Manguinhos, v. 32, suplemento, 2025)