Pesquisa resgata história de instituto científico de Angola

Maio/2026

Imagem da exposição temporária "Coleções Biológicas e o seu contributo para o conhecimento da biodiversidade de Angola" (2020) com espécimes das coleções do antigo Centro do IICA de Sá da Bandeira (Foto: Soraia Santos Ferreira)

Exposição “Coleções Biológicas e o seu contributo para o conhecimento da biodiversidade de Angola”, de 2020, com espécimes das coleções do antigo Centro do IICA de Sá da Bandeira. Foto: Soraia Santos Ferreira

A importância histórica e científica do Instituto de Investigação Científica de Angola (IICA) como instrumento de ocupação colonial portuguesa em África durante o Estado Novo é o tema de um artigo publicado na revista História, Ciências, Saúde – Manguinhos (v. 33, 2026). De autoria de Soraia Santos Ferreira, diretora da Direção Nacional de Museus de Angola e doutoranda na Universidade do Porto, e Daniela de Matos, pesquisadora júnior do Centro de Arqueologia da Universidade de Lisboa, colaboradora na coleção de Arqueologia do Museu de História Natural e da Ciência e docente na Faculdade de Letras da mesma universidade, o artigo O Instituto de Investigação Científica de Angola: do Estado Novo à independência, 1955-1975 discute a missão científica do IICA e seu impacto duradouro na criação de museus e centros de investigação em Angola, alguns ainda em funcionamento.

Com base em documentação inédita e dispersa em arquivos de Portugal e Angola, as autoras traçam o percurso institucional do IICA, fundado em 1955. Além de abordar a estrutura, a produção editorial e as redes de cooperação nacional e internacional do IICA, o artigo evidencia como a ciência foi usada como ferramenta de legitimação do domínio colonial e destaca os desafios atuais para a preservação da memória institucional e patrimonial do Instituto.

O edifício do Museu de Angola sob a tutela do IIAC, em 1965, atualmente Museu Nacional História Natural, em Luanda. Foto: cortesia MUHNAC; Arquivo Histórico Ultramarino

O edifício do Museu de Angola sob a tutela do IIAC, em 1965, atualmente Museu Nacional História Natural, em Luanda. Foto: cortesia MUHNAC; Arquivo Histórico Ultramarino

A investigação integra os projetos financiados pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) e contou com o apoio de diversas instituições, como o Museu da Huíla, o Arquivo Nacional de Angola, os Serviços Centrais e Unidade de Museus e IICT da Universidade de Lisboa (MUHNAC/ULisboa).

“Mais do que resgatar uma memória institucional, este artigo contribui para compreender como a ciência, a museologia e as políticas patrimoniais se entrelaçaram no contexto colonial do Estado Novo, e como esse legado moldou paisagem museológica e científica de Angola, que permanece, em muitos casos, inalterada até aos dias de hoje” afirmam as autoras.

Leia na revista HCS-Manguinhos:

O Instituto de Investigação Científica de Angola: do Estado Novo à independência, 1955-1975, artigo de Soraia Santos Ferreira e Daniela de Matos (História, Ciências, Saúde – Manguinhos, v. 33, 2026).