Março/2026

Imagem reproduzida de exposição promovida pelos Arquivos Departamentais do Aveyron.
A Luta do Larzac foi palco de participação de diferentes grupos de militantes na França, vindos do meio urbano. Esta diversidade favoreceu o desenvolvimento de uma sensibilidade ecológica que afetou tanto a luta pelo território quanto a defesa do corpo individual, através do interesse voltado a medicinas naturais. Um artigo publicado na revista História, Ciências, Saúde – Manguinhos (v. 32, 2025) descreve a pesquisa realizada por Renata Palandri Sigolo, professora do Departamento de História da Universidade Federal de Santa Catarina, e Sylvain Ferez, professor da Universidade de Montpellier, França, sobre diferentes arquivos do movimento denominado Luta do Larzac. Eles investigaram como ecologia e saúde se interligavam no cotidiano dos militantes.
Este movimento social, ocorrido no sul da França entre 1971 e 1981, resultou da decisão governamental de aumentar a área do campo detido pelo exército em detrimento das propriedades dedicadas a atividades agrícolas, em especial à criação de ovelhas. O anúncio das desapropriações causou a mobilização de 103 camponeses, que se comprometeram em resistir e não vender suas terras para o exército.
Este movimento inicial angariou a simpatia e o apoio de militantes na França e no exterior, como ativistas antinucleares e ecologistas, uma vez que estas lutas também estavam ancoradas na defesa de territórios. Esta diversidade de participantes resultou na fundação de diferentes grupos que ajudaram a manter vivo e defender o local. Dentre eles destaca-se a Larzac-Université, uma associação criada por universitários que visava oferecer cursos e formações aos habitantes do Larzac e regiões , ampliando as possibilidades de aprendizagem e debate sobre temas cotidianos.
A Larzac-Université foi responsável por uma formação, na cidade de Creissels em 1976, denominada “Os produtos químicos, os medicamentos, a energia: uma ameaça na vida cotidiana?”. O evento marcou o início do desenvolvimento de uma sensibilidade ecológica que une ameaça ao meio ambiente ao adoecimento do corpo individual, indicando maneiras de agir sobre ambos. (Baseado em texto de divulgação enviado por Renata Palandri Sigolo e Sylvain Ferez)
Leia na revista HCS-Manguinhos:
Saúde e ecologia na Luta do Larzac, França, 1971-1981: relações entre corpo e território na formação de uma sensibilidade ecológica, artigo de Renata Palandri Sigolo e Sylvain Ferez (História, Ciências, Saúde – Manguinhos, v. 32, 2025)



